Classes de forma de vida de Raunkiaer

     O sistema de formas de vida de Raunkiaer é aplicado às plantas vasculares. As espécies de uma certa flora são agrupadas em classes de formas de vida, estabelecidas conforme o grau de proteção conferido ao sistema de brotamento (gema). Dentro de cada classe, as espécies são atribuídas a grupos de formas de vida como Fanerófitas, Caméfitas, Hemicriptófitas, Geófitas e Terófitas.

 

 

    Fanerófitas: (do grego: phaneros – visível, aparente + phyto, planta ou gema aparente) possuem sua gema de crescimento acima do solo, geralmente superior a 30 cm de altura. Esta gema pode estar protegida pela presença de pêlos, escamas, por primórdios foliares ou de folhas.

Exemplos (clique no nome abaixo e obtenha mais informações):

1.    Actinostemon concolor (Spreng.) Müll. Arg. – laranjeira-do-mato

2.    Allophylus edulis (A.St.-Hil., Cambess. & A. Juss.) Radlk. – chal-chal

3.    Apuleia leiocarpa (Vogel) J.F.Macbr. – grápia

4.    Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze – araucaria

5.    Balfourodendron riedelianum (Engl.) Engl. – guatambu

6.    Cabralea canjerana (Vell.) Mart. – canjerana

7.    Campomanesia guazumifolia (Cambess.) O.Berg. – sete-capotas

8.    Campomanesia xanthocarpa O. Berg. – guabiroba

9.    Casearia sylvestris Sw. – carvalinho

10.  Cedrela fissilis Vell. – cedro

11.  Cordia americana (L.) Gottshling & J.E.Mill. – guajuvira

12.  Cordia trichotoma (Vell.) Arráb. ex Steud.

13.  Cryptocarya aschersoniana Mez – canela-porco

14.  Crysophyllum gonocarpum (Mart. & Eichler) Engl. – fruto-de-cachorro

15.  Cupania vernalis Cambess – camboatá-vermelho

16.  Diatenopteryx sorbifolia Radlk. – Maria-preta

17.  Eugenia uniflora L. – pitanga

18.  Holocalyx balansae Micheli – alecrim

19.  Ilex paraguariensis A. St. – Hil. – erva-mate

20.  Jacaranda micrantha Cham. – caroba

21.  Lonchocarpus campestris Mart. Ex Benth.  – rabo-de-bugiu

22.  Luehea divaricata Mart. & Zucc. – açoita-cavalo

23.  Machaerium paraguariense Hassl.– canela-do-brejo

24.  Machaerium stipitatum (DC.) Vogel – farinha-seca

25.  Matayba elaeagnoides Radlk. – camboatã-branco

26.  Myrocarpus frondosus Allemão – Cabreúva

27.  Nectandra lanceolata Nees – canela- louro

28.  Nectandra megapotamica (Spreng.) Mez – canela-merda

29.  Ocotea diospyrifolia (Meisn.) Mez – canela

30.  Parapiptadenia rigida (Benth.) Brenan – angico-vermelho

31.  Philodendron bipinnatifidum Schott x Endl – cipó-imbé

32.  Picrasma crenata (Vell.) Engl. – pau-amargo

33.  Prunus myrtifolia (L.) Urb. – pessegueiro – bravo

34.  Roupala brasiliensis Klotzsch – carvalho-brasileiro

35.  Schizolobium parahyba (Vell.) Blake – Guapuruvú

36.  Sebastiania brasiliensis Spreng. – leiteiro

37.  Sebastiania commersoniana (Baill.) L.B. Sm. & Downs  – branquilho

38.  Sloanea monosperma Vell. – carrapicheira

39.  Stromanthe tonckat (Aubl.) Eichler

40.  Syagrus romanzoffiana (Cham.) Glassman – coqueiro-jerivá

41.  Vitex megapotamica (Spreng.) Moldenke – tarumã

 

    Caméfitas: (do grego: khama­i – próximo a terra + phyto, planta ou gema próxima ao solo) possuem sua gema de crescimento acima do solo, porém não ultrapassando 30 cm de altura. As gemas vegetativas ficam protegidas pelos restos mortos do sistema aéreo, camada de serapilheira ou por uma camada de neve que funciona como isolante.

    Hemicriptófitas: (do grego: hemi – pela metado, pelo meio + kruptos + phyto, planta ou gema meio escondida), ou seja, plantas com as gemas situadas na superfí­cie do solo, muitas vezes envolvidas por folhas em forma de roseta. Estas gemas são protegidas por escamas, folhas ou bainhas foliares vivas ou mortas.

    Geófitas: (do grego: geo – terra + phyto, planta ou gema enterrada), apresentam gemas vegetativas no sistema subterrâneo, ou seja,  possuem caules afundados na terra e gemas de crescimento abaixo da superfície do solo. A camada de solo atua como um isolante protegendo a gema. ( Ex: bulbos ou cormos, tubérculos, rizomas, dentre outros).

     Terófitas: (do grego: theros – verão ou colheita + phyto – planta). A planta ou gema vive apenas no verão ou em uma colheita, ou seja, morrem de um ano para o outro, sobrevivendo na forma de sementes. Estas plantas apresentam máximo grau de proteção da gema.

 

Outras formas de vida

    Epí­fitas: crescem sobre outras plantas vivas, utilizando-as somente como suporte, tendo perdido por completo a conexão com o solo.

     Hemiepí­fitas: também vivem sobre outras plantas vivas, mas sempre mantendo conexão com o solo por meio de raí­zes e até mesmo pelo seu rizoma (tronco). São conhecidos dois tipos de hemiepí­fitas:

     a) Hemiepí­fitas primárias: iniciam sua vida como epífitas, germinando sobre outras plantas. Posteriormente as raízes alimentadoras entram em contato com o solo para complementar sua nutrição. Exemplo:

Philodendron bipinnatifidum Schott x Endl -cipó-imbé

     b) hemiepí­fitas secundárias: germinam o solo, mas buscam um suporte sobre o qual se desenvolvem. Pode acontecer da porção do caule que liga a planta ao solo apodrece, desconectando-a. Geralmente a partir deste momento raí­zes alimentadoras surgem para complementar o processo produtivo.